Travessia Petrópolis x Teresópolis, em comemoração ao 1° Outubro Rosa Interclubes de Montanhismo do Rio de Janeiro – CEF, CEB, CERJ, CEG, CEC, CELight.
28 e 29 de Outubro de 2017
Uma das travessias mais belas do país e também uma das mais desafiadoras. Quatorze mulheres guerreiras aceitaram embarcar nesse desafio, mulheres de diferentes idades, níveis de conhecimento e habilidades técnicas de Montanhismo. O que era realidade para algumas, ainda era um sonho para a maioria.
O desafio das participantes do CEF começou ainda em Nova Friburgo às 5h00. Durante a madrugada, uma chuva torrencial com trovoadas colocou em dúvida a realização da travessia, mas seguimos em frente, preparadas para percorrer o caminho mesmo debaixo de chuva. A chegada em Petrópolis ocorreu por volta das 7h30.

O ponto de encontro foi na portaria do Bonfim, na sede do PARNASO em Petrópolis. Depois de todas serem apresentadas umas às outras, e de algumas instruções da guia, por volta de 09h15 demos início à jornada tão esperada, com muita disposição, preparação e interação máxima entre as integrantes. A animação em desbravar caminhos desconhecidos era visível, tendo em vista que só três participantes já tinham percorrido a travessia antes, sendo então novidade para a maioria.



No primeiro dia, as subidas predominavam. A ideia inicial era chegar ao Abrigo do Açú e ali decidir se continuaríamos ou não, tendo em vista a previsão climática nada boa. Mas o céu e as montanhas nos agraciaram com um tempo cada vez mais limpo, temperatura amena e visibilidade sensacional! É indescritível ir preparado para o pior e se deparar com o melhor.
Passamos pela Pedra do Queijo após 2h15 de subida, com um céu azul estonteante e uma bela vista do Vale do Bonfim. A fauna e a flora deram um show à parte. Sem dificuldades, alcançamos o Ajax, onde a pausa para o almoço e reposição de água foram bem vindos, para renovar as energias e enfrentar a Isabeloca, uma subida mais íngreme que revelava mudanças na paisagem à medida que ganhávamos altitude. Ao passar pelo Chapadão, a visibilidade era impressionante! Avistamos a Baía de Guanabara, o Pão de Açúcar e até mesmo o Arquipélago das Ilhas Cagarras ao fundo.
Seguimos rumo às imponentes formações rochosas dos Castelos do Açú. Todas juntas, em ótima sintonia, chegamos ao abrigo às 15h30 com a melhor sensação possível, após 6h30 de caminhada, contrariando as pessimistas previsões de chuva. Hora da janta coletiva! O cardápio? Penne com opção de molho quatro queijos ou molho de tomate com calabresa. Agora sim, prontas para apreciar um por-do-sol perfeito no mirante do Cruzeiro. Estávamos literalmente no paraíso! No céu, os tons de laranja vibravam com o descer do sol, enquanto todas nós imergíamos em pura contemplação.

Iniciamos o segundo dia com um nascer-do-sol tímido, entre nuvens. Demos partida à empreitada por volta das 7h40. Com calma, determinação e atenção, todas as etapas foram vencidas. Setas encravadas no chão e totens auxiliavam na orientação. Deixamos para trás o Morro do Marco, o Vale da Luva, o Vale das Antas e o Dorso da Baleia. Passamos bastante focadas e unidas por todos os pontos tidos como críticos, como o Elevador, Mergulho e Cavalinho.
O tempo colaborou mais uma vez, ora nublado, ora com neblina, mas sem uma gota de chuva! O cenário composto pelo Garrafão, Dedo de Deus, Escalavrado e tantas outras montanhas grandiosas é de tirar o fôlego! Após 6h50 de muito sobe-e-desce, alcançamos o Abrigo 4 na Pedra do Sino às 14h30, onde um pequeno descanso e lanche nos deram suporte e mais energia para continuar a jornada.
Percorremos uma longa porém suave descida, sob forte neblina. Perto do fim, por um momento pudemos parar e apreciar o melodioso canto de um sabiá-una pousado a poucos metros acima de nossas cabeças, como se saudasse as guerreiras pelo desafio cumprido. Apenas incrível! Chegamos ao ponto final da empreitada, terminando o desafio por volta das 18h45, após 11h de caminhada.
O prêmio por todo o esforço? O orgulho de ter concluído essa travessia tão famosa ao lado de boas companhias e superando os próprios limites. Do início ao fim, o companheirismo, a animação, a força de vontade e o brilho nos olhos de quem faz o que ama dominou o grupo. Parabéns a todas as mulheres que concluíram com louvor a travessia e a todos que direta ou indiretamente tornaram possível essa empreitada! Que venha o Outubro Rosa 2018!!



